domingo

ACIMA DA MEDIOCRIDADE



"Que Grassmann seja um dos nossos maiores artistas não há ou não
deveria haver nenhuma dúvida; que se fale dele e se o veja — e este é
evidentemente o principal — tão pouco em exposições, em livros,
naquilo que se chama a mídia, afinal, é motivo de dúvida: ou nos
tornamos uns verdadeiros estúpidos, ou se trata de uma estupidez mais
branda, embora estupidez ainda, a de termos nos esquecido.
Não é difícil encontrar algumas de suas obras originais aqui e ali, no
meio de paisagistas medíocres, de enormes porcarias que se vendem para
enfeitar as paredes dos Jardins. O difícil é que elas sejam
devidamente apreciadas, que haja o reconhecimento necessário para
focalizar sua obra, e ensiná-la; mesmo porque boa parte de sua obra se
constitui de gravura. Isso se deve dizer porque ainda há um
preconceito provinciano de categorizar gravura como uma arte menor, ou
menos nobre que a tela — para a arte contemporânea é bom recordar que
essa distinção inexiste, uma vez que os meios escolhidos não são esses
e que a tela só vale alguma coisa se for bem velha, ou é considerada
pelos cultivados ignorantes um passadismo dos mais ridículos. Mas para
essa máquina inconsistente, o mercado de arte, funciona assim. Por
esse motivo não vemos Grassmann ser valorizado como deve:
especialistas e alguns interessados específicos a conhecem, mas é um
artista cuja obra deveria ser estudada, exposta."

TEXTO DO BLOG CRÔNICAS DO MOTTA




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